A ASCENSÃO DE SALOMÃO AO TRONO
A História
O palácio de Jerusalém, outrora vibrante com o som de harpas e servos em movimento, agora estava silencioso. O rei Davi, o antigo guerreiro que enfrentara gigantes e unificara Israel, jazia em seus aposentos coberto por mantos, sem forças. Seus servos tentavam aquecê-lo, mas a velhice havia se imposto com irreversível firmeza. O reino, que um dia fora marcado por vitórias milagrosas, vivia um clima de tensão contida — como se a própria terra esperasse pelo próximo capítulo da história.
Enquanto Davi lutava contra o peso dos anos, o nome de um homem crescia entre os corredores do palácio: Adonias, filho mais velho vivo. Alto, elegante, de aparência imponente, ele lembrava a muitos o falecido Absalão. Seu coração, porém, era movido por algo mais profundo e perigoso: ambição.
Sem consultar o rei, Adonias ordenou que preparassem carros, cavaleiros e cinquenta homens para correrem diante dele como escolta. Sua estratégia era clara: parecer rei antes de se tornar rei. Reuniu ao seu redor figuras influentes: Joab, o poderoso comandante do exército, e Abiatar, sacerdote que ainda tinha prestígio entre o povo. Adonias então realizou um grande banquete perto da Pedra de Zoelete, onde sacrificou ovelhas, bois e novilhos gordos. Ali, proclamou-se rei — sem a bênção de Deus, sem a palavra do profeta e, principalmente, sem o consentimento de Davi.
Mas o reino não pertencia aos que gritavam mais alto. Pertencia ao escolhido.
Enquanto Adonias celebrava seu falso trono, Betseba, mãe de Salomão, caminhava pelos corredores do palácio com passos rápidos. O medo apertava seu coração, mas sua voz permaneceu firme quando entrou nos aposentos do rei. Com respeito e honestidade, ela lembrou Davi da promessa feita anos antes — uma promessa selada diante de Deus: Salomão herdaria o trono de Israel.
Poucos instantes depois, o profeta Natã entrou na sala. Como mensageiro do Altíssimo, ele confirmou tudo o que Betseba havia dito. Seus olhos, cheios de autoridade divina, mostravam a gravidade do momento: se Davi não agisse imediatamente, Israel seria tomado por um rei não escolhido, e a promessa de Deus seria ameaçada.
O velho rei, fraco no corpo, mas ainda forte em espírito, ergueu-se. Aquele era Davi — o pastor que se tornou rei, o poeta dos Salmos, o homem segundo o coração de Deus. Ele deu sua ordem final de autoridade:
“Fazei com que Salomão, meu filho, monte a minha própria mula e descei com ele até Gião.”
A mula real era símbolo de legitimidade absoluta. Nenhum homem poderia montá-la sem autorização do rei.
Assim, numa cena que marcaria a história de Israel, Salomão foi conduzido pela escolta real. O sacerdote Sadoc carregava o óleo sagrado em um chifre, e Natã caminhava ao lado, representando a vontade de Deus. Quando chegaram à fonte de Gião, Sadoc derramou o óleo sobre a cabeça de Salomão, consagrando-o publicamente.
O som de trombetas ecoou por toda Jerusalém.
O povo, emocionado, gritou com força:
“Viva o rei Salomão!”
As ruas tremeram sob os pés das multidões. O clamor era tão poderoso que o banquete de Adonias foi interrompido. Seus convidados, ouvindo o rugido da cidade e percebendo que o verdadeiro rei havia sido ungido, levantaram-se assustados e se dispersaram rapidamente. O reinado usurpado durara apenas algumas horas.
Adonias, percebendo que havia tocado no que era sagrado, fugiu em pânico para o altar e agarrou-se às pontas do altar como último sinal de súplica. A ironia era clara: aquele que tentou tomar o trono pela força agora implorava misericórdia.
Enquanto isso, Salomão — ungido por Deus, confirmado por Davi e reconhecido pelo povo — entrava em Jerusalém como o verdadeiro rei. Jovem, mas destinado a grandeza, ele dava os primeiros passos de um reinado que marcaria a história espiritual de toda a humanidade.
VERSÃO EXPLICADA – CAPÍTULO 1
O capítulo inicial da história do Rei Salomão apresenta uma das transições de poder mais dramáticas e significativas da Bíblia. Na tradução Ave-Maria — baseada em tradição católica e linguagem reverente — destacam-se elementos que enriquecem o contexto.
1. Davi estava debilitado e o reino vulnerável
O texto revela que Davi já não conseguia aquecer-se, símbolo de sua fragilidade. Isso sinalizava instabilidade política, um momento oportuno para disputas internas.
velhice do rei Davi, sucessão de Davi, instabilidade em Israel.
2. Adonias tenta se proclamar rei por conta própria
Adonias possuía:
- prestígio como filho mais velho vivo
- apoio de figuras influentes (Joab e Abiatar)
- aparência imponente que impressionava o povo
Mas faltava-lhe a unção divina.
A atitude dele enfatiza a diferença entre a vontade humana e a escolha de Deus.
Adonias e Salomão, tentativa de golpe na Bíblia, filhos de Davi.
Betseba e Natã lembram Davi da promessa
A intervenção desses dois personagens mostra:
- Betseba como protetora da promessa divina
- Natã como porta-voz de Deus e conselheiro profético
- Davi como guardião final da aliança
Essa união espiritual impediu um golpe político.
A unção de Salomão é pública e solene
A mula real, a fonte de Gião e o óleo sagrado foram símbolos de:
- legitimidade
- continuidade da linhagem escolhida
- autoridade concedida por Deus
- confirmação profética
Quando o povo ouviu o som das trombetas, reconheceu que Deus havia escolhido Salomão.
unção de Salomão, Sadoc e Natã, Gião na Bíblia.
A queda de Adonias
A fuga de Adonias para o altar revela:
- sua consciência culpada
- o temor diante da autoridade divina
- sua tentativa final de buscar misericórdia
É o contraste perfeito entre arrogância e humilhação.
Mensagem espiritual central
Este capítulo ensina que:
- Deus cumpre Suas promessas, independentemente das circunstâncias
- um verdadeiro líder não se impõe pela força, mas pela escolha divina
- a proteção de Deus acompanha aqueles que seguem Sua vontade
- Salomão não foi apenas um herdeiro, mas um escolhido
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